Dedicação: fã de Machado, leitor voraz e apoio da família

Cleide e Valter, pais de Leonardo, lembram que o filho era frequentemente excluído quando estudava em São Paulo por causa de suas limitações visuais; Leonardo foi o primeiro vestibulando a fazer uma prova 100% em Braille no Vestibular da UEL

Publicado: 30/12/17 • 16h35
Atualizado em: 16/01/18 • 11h25

A mãe conta que Leonardo é um exemplo de dedicação que orgulha toda a família. Sua paixão e esforço nos estudos inclusive motivaram Cleide e o marido Valter de Souza Vaz (49) a deixarem o estado de São Paulo e se mudarem para Rolândia especialmente para que ele pudesse estudar no Colégio Souza Naves em 2014. "Ele é um filho maravilhoso, muito educado, atencioso com tudo", ressaltou a mãe. "Eu e o pai dele fizemos de tudo para que ele sempre pudesse ter o melhor, ele quer estudar, se esforça para isso e a gente apoia", revelou. Leonardo retribui o carinho e apoio da família com muita dedicação. "Eu creio que se a gente fizer melhor o que a gente trabalha, o que a gente faz, a gente vai conseguir chegar longe, por isso eu estudo bastante, não só para passar no vestibular, mas também para adquirir conhecimento", declarou o estudante.

Leonardo aproveitou para fazer vários agradecimentos aos profissionais que contribuíram para que ele tivesse um ótimo desempenho no vestibular, como a professora Sandra da sala de Altas Habilidades, Marcela Canonico, a professora de Português Rosiane, das Altas Habilidades, todos os professores da sala regular que ele frequenta, especialmente Tiaraju, de Filosofia e Sociologia. Em sala de aula, ele dispõe um notebook e livros em Braille e em CDs e agradeceu a direção do Souza Naves pela estrutura e apoio. "Sou muito grato por tudo que é feito por lá", concluiu o aluno.

Trajetória

Leonardo nasceu com glaucoma congênito e, até aproximadamente seus oito anos, tinha visão sub-normal e conseguia ler com recursos de ampliação de palavras, que aumentavam cada vez mais com o passar do tempo, até que ele começou a ler pelo Braille. No seu primeiro contato com esse sistema de escrita, quando a família ainda vivia em Alumínio (SP) e ele estudava em Sorocaba, seu desempenho surpreendeu. "A professora dele ficou até emocionada, porque nunca ninguém aprendeu o código de braile de primeira", revelou a mãe.

Emocionados, Cleide e Valter lembram que o filho era frequentemente excluído quando estudava em São Paulo por causa de suas limitações visuais. Em Rolândia, não demorou muito para as pessoas perceberem que se tratava de um adolescente com muita inteligência. Uma vez estimulado por professores, Leonardo externou tal inteligência. Leitor voraz – só neste ano foram 23 ou 24 livros, não sabe ao certo – e fã de Machado de Assis, o adolescente está em dúvida entre Dom Casmurro ou Memórias Póstumas como o melhor livro do Bruxo do Cosme Velho – o seu lado geek também transparece em sua preferência pelos super-heróis da DC (Super-Homem, Batman, Flash, Mulher-Maravilha ...), mas é um Capitão América que enfeita a sua estante de livros e fica bem ao lado da máquina de escrever em braille.

Visão limitada

Apesar de ter uma visão limitada, Leonardo é capaz de enxergar pessoas, cores e objetos que estejam bem próximos dele. Ele já passou por 18 cirurgias, quatro delas de transplante de córnea. "O primeiro transplante de córnea que ele fez, tinha seis meses, só que o glaucoma é uma doença progressiva, é o controle de pressão, então se você não consegue controlar a pressão, com o tempo vai perdendo a visão", explicou Cleide.

O último transplante de Leonardo foi em 2012 no Hospital Albert Einstein, com uma técnica avançada oriunda dos Estados Unidos e dominada por somente dois cirurgiões brasileiros. Como o glaucoma de Leonardo é progressivo, sua condição para passar por uma nova operação no futuro é ser submetido a uma técnica mais inovadora que a anterior.

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