São Rafael busca reconhecimento e recurso

Hospital é responsável por 41% do tempo de atendimento ao rolandense e recebe apenas 7% do montante da Saúde para isso

Publicado: 09/10/18 • 23h00
Atualizado em: 11/10/18 • 10h15

     O diretor Administrativo do Hospital São Rafael, Paulo Boçois de Oliveira, afirmou que o hospital precisa participar da construção do Orçamento da Saúde para 2019. Além disso, o diretor também ressaltou que o hospital tem se responsabilizado por mais de 40% do tempo da Saúde no município e só recebe 7,4% do dinheiro para isso. “O ideal seria aumentarmos em torno de 30%, ou seja, ter um repasse de 10,8%. Também faremos um trabalho junto a outros municípios de nossa microrregião para receber repasses”, revelou Paulo. As falas do diretor foram feitas da Tribuna Livre da Câmara de Rolândia, na sessão de segunda-feira (08), durante uma prestação de contas da nova diretoria, à frente do hospital há oito meses.

   O diretor pediu apoio em uma melhor negociação dos contratos vigentes. Através do contrato de especialidades, o São Rafael recebeu até agosto R$ 882 mil; já o contrato de clínicos proporcionou o valor de R$ 1,64 milhão. O total dos contratos com a prefeitura foi de R$ 2,53 milhões. Nesse mesmo período, a receita da prefeitura foi de R$ 137 milhões – desse total, R$ 34 milhões foram para a Saúde. “Vejam, 1,84% de toda a receita de Rolândia foi aplicada no hospital, o que dá 7% do orçamento da Saúde”, salientou Paulo Boçois. “Um repasse atualizado em torno de 2,67% da receita é que pretendemos”, afirmou.Paulo sabe que a arrecadação foi baixa neste ano no município. Numa eventual melhora em 2019, esse percentual também poderia cair.

   “Só que quando pego o mês de setembro, por exemplo, que tem 720 horas, eu vejo que o hospital não tem feriado e nem folga. Trabalhou as 720 horas e está 100% disponível para a população de Rolândia”, ressaltou Paulo Boçois. Os outros serviços da Saúde (como UBSs e PA) ficaram à disposição dos rolandenses 426 horas, ou 59% do mês. “O que eu peço é que esse contrato seja renegociado. Não dá para carregar o piano 41% do tempo da saúde de Rolândia e receber apenas 7%”, afirmou o diretor. “Estamos pedindo aquilo que é a parte do hospital”, complementou.

   O diretor também lembrou que o São Rafael não é público, mas presta um serviço. “Receber 7% para carregar 41% da Saúde de Rolândia é muito pouco. Estamos reclamando o direito do hospital de participar de uma fatia melhor desse bolo”, afirmou. Paulo lembrou que toda essa apresentação já havia sido feita para o Executivo.

Estado
   O contrato do hospital com Estado, que recebe recursos da União, também precisa ser revisto. A meta do hospital é de 286 AIH (Autorização de Internação Hospitalar) por mês, ou seja, 286 internamentos. Já a meta mensal dos procedimentos eletivos (as cirurgias) é de 31. O governo federal, através do governo estadual, paga por esses internamentos e por esses procedimentos. O caso é que esses números já foram ultrapassados e nada mais é pago. Um novo contrato deveria ser assinado com novos números. “Hoje é dia 08 e já temos 375 AIHs (31% a mais) e 95 procedimentos (206% a mais). Mandei um ofício à 17ª Regional da Saúde, solicitando o aumento das AIHs, mas foi negado. Depois veio uma nova resposta aumentando em 121 AIHs, mas sem aumentar o financeiro. Quase perguntei se eu tinha nariz de palhaço. Não vou assinar o contrato”, avisou Paulo.

   O diretor revelou que pediu um aumento das AIHS de 286 para 386, e os procedimentos de 31 para 81, o que vai dar um valor de R$ 103 mil reais por mês. A diretoria também solicitou a adequação do Hospsus, igualando o recurso de outros hospitais de mesma complexidade da 17ª Regional. “Esses hospitais estão na tipologia E e nós estamos na D. Isso dará um incremento de R$ 22 mil reais. Pedimos também que a portaria 3.426/2016, de 50 mil reais por mês, seja colocado de forma definitiva no contrato do hospital. Se não, daqui a 10 meses perderemos esse valor”, enfatizou Paulo Boçois.

   O diretor administrativo pediu a ajuda dos vereadores para melhorar os valores na renegociação dos contratos municipais e estaduais. “Também gostaria que o repasse das sobras da Câmara fosse para o São Rafael”, solicitou. O vereador Eugênio Serpeloni lembrou que o recurso é devolvido para o Executivo para a fonte 1000 – o Executivo faz o que quer com essas sobras do Legislativo. O que os vereadores podem fazer é sugerir ao prefeito que o dinheiro vá pra determinado objeto. Em anos anteriores, recursos foram repassados dessa maneira ao São Rafael.

Secretário de Saúde
   O secretário de Saúde de Rolândia, Marcelo Marques, esteve na sessão, juntamente com alguns membros do Conselho Municipal de Saúde. Durante o uso da Tribuna pelo diretor do hospital, Marcelo pediu a palavra e lembrou dos repasses da prefeitura ao São Rafael e das dívidas que os municípios vizinhos têm com Rolândia por causa do Samu avançado, que tem base em Rolândia. Cada município deveria destinar um recurso per capita, de acordo com o seu número de habitantes, o que não tem acontecido.



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