80 anos de vida

Memórias do Padre Zé

Pe. José com três meses de idade com o pai Spiridione, a mãe Maria Rosa (a direita) e tia Maria em 1942.

Nem parece!… mas completei 80 anos de vida no dia 2 de outubro de 2021. Uma data significativa! Na minha imaginação, deveria ter sido a data em que entregaria o cargo de pároco livre e espontaneamente. Mas meu superior eclesiástico, querendo ser fiel às normas do Direito Canônico, achou que, como eu já tenha passado da idade limite, 75 anos, deveria deixar o cargo imediatamente, antes mesmo de completar os 80 anos.

Eu tinha vindo ao Brasil, como missionário, com apenas 20 anos de idade. Depois de 4 anos estudando na Faculdade de Teologia em Curitiba, fui ordenado padre e destinado a ser pároco, primeiramente em Pitangueiras, então Distrito do Município de Rolândia, por 4 anos e, depois em Rolândia por 52 anos. Portanto, sempre em Rolândia! Nunca procurei vantagens para mim mesmo. Só procurei o bem estar espiritual, social e material daquele que me foram confiados por Deus, através do cumprimento fiel das dimensões pastorais da Igreja. Sempre formei equipes e comissões de leigos, os quais assumiram com entusiasmo suas funções na Comunidade. Todas as atuais paróquias da cidade conhecem minha ação e meu impulso renovador. Foram criados e desenvolvidos diversos projetos sociais, culturais e filantrópicos que, hoje, estão oferecendo lideranças e profissionais de gabarito à sociedade rolandiense.

Diversas entidades beneficentes conhecem sua continuidade graças a minha interferência no momento certo. Pastoralmente falando, sempre me adaptei à renovação proposta pelo Concílio Vaticano 2º e pelos planos de pastoral dos nossos Bispos. Com consciência tranquila, posso dizer que nunca dormi no ponto! Não tenho queixas de nada e de ninguém! Amo Rolândia e seus moradores! Cresci com esta cidade e ela cresceu comigo! Procurei dar atenção a todos: crianças, jovens, casais e idosos. Se alguma vez não consegui agradar a alguém, foi devido as minhas fraquezas humanas!

Não tenho nada meu. Não adquiri nenhuma propriedade para meu benefício: casa, apartamento, chácara, sítio, como alguns colegas de ministério se sentiram no direito de fazer. Pelo contrário, tudo o que ganhei de amigos generosos ou empresários benfeitores ou, até mesmo de entidades do exterior, tudo foi aplicado em reformas das igrejas e em projetos sociais nas paróquias pelas quais passei. Deixei tudo para trás, inclusive minha querida família. Como missionário, segui o mandato de Jesus que diz: “Todo aquele que deixa casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do Evangelho, recebe cem vezes mais agora durante esta vida – casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições – e, no mundo futuro, a vida eterna” (Marcos 10,29-30)

E, como diz o texto bíblico acima, recebi tudo de fato! Porque, ao me ver diante de um muro intransponível, minha primeira reação foi aquela de voltar ao antigo ninho, de onde tinha aberto as asas e voei… E foi neste exato momento de instabilidade emocional que entendi a frase do Evangelho acima citada. Porque a população de Rolândia se mostrou como se fosse minha família de verdade e fez de tudo para não partir para longe, mas permanecer aqui como “aposentado”. Diversas famílias me ofereceram casas para morar, mas eu aceitei um apartamento no Residencial Roland, oferecido pela Família Vanzella da Empresa “Vancouros” pela praticidade do local. Sob a coordenação do. Maurício Picotti, um grupo de 80 senhoras organizaram um “chá de casa nova” n residência da Sra. Elizabeth Jacinto para arrecadar todos os utensílios domésticos necessários para mobiliar o respectivo apartamento. Um grupo de empresários amigos, liderados por Edson Vanzella Pereira de Souza e sua esposa Aliandra, organizaram uma espécie de aposentadoria particular para me garantir uma velhice tranquila. Sinto-me no dever de agradecer publicamente as seguintes famílias: Luzia Sella Vanzella, em memória de seu finado marido Nico, o qual me considerava como se eu fosse seu irmão, Marcelo/Luciana Vanzella, João Roberto/Inês Welter, Geraldo/Marlene Campaner, Arlindo/Erna Armacollo, José Carlos/Marilda Salgueiro, Horácio/Silvana Negrão, Nilson/Badry Giraldi, Antônio/Guiomar de Paula, Arlindo/Sandra Sekles Fuganti, Carlos/Eliana Schlieper, Maurício e Priscila Picotti, Douglas Canônico, Stefan/Marina Stremlow, João Paulo/Lilian Schauff e Alfons Gardemann… Sinto-me grato também para com tantas pessoas que se preocupam comigo no dia-a-dia e me trazem donativos e presentes, demonstrando estima e carinho. A todos e a todas, minha sincera e eterna gratidão! Agradeço, igualmente, ao José Eduardo da Silva pelo incentivo que me deu ao sugerir que eu escrevesse estas minhas “memórias” a serem publicadas em seu semanário “Jornal de Rolândia” e, posteriormente, compiladas num livro.

“Pela graça de Deus, sou o que sou… e a graça de Deus, em mim, não foi em inútil”.

Monsenhor José Agius Monsenhor

Monsenhor José Agius Monsenhor

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