A indesejada das plantas

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Sobrelinhas – por Carla Kühlewein

Aprendemos cedo que uma semente germinada é fonte de vida e que plantar é um hábito necessário e prazeroso (principalmente a colheita!). Mas nem toda semente germina ou é de fato cultivada, simplesmente aparece. É de um broto assim, inesperado, que trata o livro ‘A menina e a planta’, escrito por Marcia Paganini e sensivelmente ilustrado por Andréia Vieira.

Mas de que tipo de planta estamos falando exatamente? De uma que incomoda a menina Mari, protagonista da história. Uma que começa devagarinho, com uma coceira no dedão do pé, e vai crescendo, se espelhando por todo o corpo:

“Alguns dias se passaram e a menina viu que estava nascendo uma plantinha no seu pé. Bem ali, no pé direito onde a coceira havia começado. Estava diante de um acontecimento realmente muito esquisito, concluiu, e por isso achou melhor não mostrar aquele brotinho a ninguém.” Quem iria acreditar em uma planta vivendo em pé de gente?”

A menina bem que tenta se livrar sozinha da planta (antes que alguém perceba), mas de nada adianta. A intrusa continua crescendo e passa até a fazer parte de sua vida, trazendo-lhe novas sensações:
“Enquanto as meninas riam e falavam muito [na escola], Mari permanecia quieta, tomando seu sorvete. Sentia uma vontade estranha de não estar ali, de desaparecer […]. O tempo foi passando. Mari sentia-se cada vez mais triste e ficava cada vez mais quieta no seu canto.”

A coceira que tanto incomoda Mari é a mesma que aflige milhares de pessoas. É invisível e silenciosa, elimina vontades e gera outras… indesejáveis. Enfim, se tristeza fosse planta, o mundo seria uma floresta só.

Por essas e outras ‘A menina e a planta’ é uma leitura necessária. Não apenas porque a história vale a pena, mas porque (parodiando Mario Quintana) parece um daqueles livros que lê a gente, e não o contrário.

Abaixo, o link de acesso ao booktrailer do livro:
https://www.youtube.com/watch?v=hjmzRihhcxs

Carla Kühlewein É graduada em Letras Vernáculas e Clássicas (UEL), Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada (Unesp) e Doutora em Literatura e Vida Social (Unesp).

Carla Kühlewein

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