Deus é demais

Por Monsenhor José Ágius

O jovem viciado em cocaína vai levando sua vida, sempre se dando bem, e cada vez aumentando a dose. Até que um dia resolve pegar uns pacotinhos a mais para “levantar uma grana”. Justamente neste dia ele é pego pela polícia e vai preso. Aguardando o julgamento, ele é visitado pelo pessoal da Pastoral Carcerária. Aceita a proposta de se tratar da dependência. O pessoal consegue uma vaga para ele numa fazenda de recuperação. Mas depende do juiz dar-lhe esta pena alternativa, ao invés de deixá-lo corromper-se na prisão. O jovem reza. A família toda reza e se empenha com ele. A Pastoral Carcerária consegue um advogado da Pastoral dos Direitos Humanos. Enfim, sai a sentença: o rapaz deve deixar a prisão e submeter-se ao tratamento de nove meses. Para ele é a chance de nascer de novo. Uma nova gestação. Um novo começo. Hoje recuperado, ele ajuda como voluntário na própria Obra que o resgatou da morte. Costuma dar este testemunho: “Deus é demais! Ele sempre nos surpreende. Quando achamos que ele não está, olha aí ele irrompendo na vida da gente de um modo inesperado, desafiador. Onde impera o vício, a tristeza e a morte, ele transforma tudo em liberdade, alegria e vida. Isso para mim é ressurreição, é páscoa.”


O universo estava um encanto. Lá estava Deus e suas criaturas para a festa da vida. O homem e a mulher esbanjavam saúde e beleza, “cheios de graça e de valor”. Começou a grande aventura da história. “Deus viu que tudo era muito bom”. Mas como toda aventura tem seus riscos, os humanos se arriscaram e o pior aconteceu: o pecado entrou na história, e com ele a morte. O humano desumanizou-se, o desequilíbrio instalou-se, o divino ficou inatingível. O homem e a mulher ficaram perdidos. Ficaram com medo de Deus Pai-Amigo: “ele vai nos matar”. E se esconderam. Enquanto isso, Deus “passeia pelo jardim”. Ele não tem nada a temer. Ele sabe o que faz. O Criador chama por sua criatura, o Amigo procura pelos companheiros: “onde vocês estão?” A voz trêmula de Adão ressoa entre os arbustos: “nós nos escondemos porque ficamos com medo”. Diante de Deus o pecado é desmascarado, não há como escondê-lo. Deus fica chateado com a sua criatura, mas pensa: “isso não vai ficar assim! Vou dar um jeito nisso.” Deus é mesmo assim: Ele não desiste!


Deus sabe que, na verdade, o inimigo está instalado dentro do ser humano. Por isso é o pior inimigo! É necessário extirpar de vez este mal do coração humano. Mas como fazê-lo? Deus se vê num dilema: precisa entrar no coração humano para arrancar daí o pecado, mas não pode violar a liberdade que deu a cada um e a cada uma. Mas ele jurou a si mesmo que não desistiria! E daí? Decidido a pôr definitivamente um fim ao império do pecado, Deus faz a última e maior de todas as suas façanhas: vem como ser humano, como sua criatura, assume nossa vida na pessoa de Jesus e partilha conosco o seu plano. “É simples”, diz. “Sendo um deles, vou ensinar-lhes como vencer o mal por dentro e reencontrar o caminho da vida. Assim eles serão felizes para sempre!” Mas o pecado é tanto no coração humano, que Jesus acabou sendo morto de uma maneira infame! Os amigos de Jesus pensam: “Está acabado! Estamos perdidos!” Deus, porém, não se dá por vencido! A escuridão e o silêncio do sepulcro são atravessados por uma luz e um grito: “Jesus ressuscitou!”. A morte foi vencida, o pecado foi apagado, o caminho da vida se abriu de novo para a humanidade. Agora todos já sabemos: a aventura continua porque Deus consegue transformar o mal em bem; realiza seu plano até mesmo através das contradições humanas!
Deus é demais!

Monsenhor José Ágius

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