Então… Tchau!

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Sobrelinhas – Por Carla Kühlewein

É hora de dizer “tchau” ao ano que se finda e aguardar ansiosamente pelo próximo. Até aí, nenhuma novidade. Mas quando o assunto é se despedir de alguém… (não se pode negar) dizer “tchau” dói pacas! Ainda que o termo seja empregado mais como sinônimo de “até logo”, em algumas ocasiões, pode durar bem mais que o esperado.

É uma despedida assim, bem dolorida e demorada, que se revela na história ‘Tchau’, de Lygia Bojunga (uma das três narrativas do livro com o mesmo título). ‘Tchau” é uma tragédia só! Inicia-se com a mãe da menina Rebeca revelando que possui um amante e deseja mudar-se com ele para a Grécia. A conversa entre as duas sobre o assunto é muito tensa:

“- Eu me apaixonei por outro homem, Rebeca. Eu estou sentindo por ele uma coisa que eu nunca! nunca tinha sentido antes! [….]

  • O pai adora você! Você não pode… Ele gosta de você! Ele gosta demais de você.
  • …mas este último ano a gente briga a toda hora.
  • Por quê?
  • Não sei; quer dizer, eu sei; eu sei mais ou menos, essas coisas a gente nunca sabe direito, mas eu sei que eu fui me sentindo sozinha… vazia… vazia de amor. Amor assim… de um homem.”

Dessa maneira Rebeca é informada da possibilidade de os pais se separarem, por iniciativa da mãe que se apaixonara por outro homem. De repente a família se vê diante da difícil missão de dizer “tchau”, um para o outro, para o passado, enfim, para a vida como fora até então.

A leitura de ‘Tchau’ é angustiante do início ao fim. Lidar com o possível afastamento da mãe e a insegurança do pai diante disso são desafios grandes para uma garotinha. E assim somos conduzidos por essa história, que releva somente ao final se a mãe realmente sai de casa ou não (só mesmo lendo pra saber!). De certa forma, o desafio da pequena é nosso também…

Enquanto Rebeca se dedica a impedir um longo e pesaroso “tchau”, a humanidade se esforça para fazer o contrário: promover a despedida de um dos períodos mais difíceis já vivenciados. Então… tchau!

Carla Kühlewein É graduada em Letras Vernáculas e Clássicas (UEL), Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada (Unesp) e Doutora em Literatura e Vida Social (Unesp).

Carla Kühlewein

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