Com uma história mais antiga do que a cidade onde nasceu

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A moradora Ruth Bárbara Steidle, que hoje tem 83 anos de idade, fala sobre ser mais velha que a própria cidade em que nasceu, lá em 1938

Ruth Steidle 83 x 78 Rolândia Caviúna

A rolandense Ruth Bárbara Steidle (83), nasceu no meio da mata da Fazenda Bimini, em Rolândia, no dia 04 de novembro de 1938. Diz a lenda que seu pai Hans Kirchheim, à procura de uma parteira, ficou com a carroça presa no barro, e a mãe, Hildegard Annemarie Kirchheim, deu à luz a criança sem assistência.

Com uma história mais antiga que a própria cidade onde vive, Rolândia, que em 28 de janeiro completa 78 anos de sua emancipação política, a rolandense, com a ajuda de seu filho Daniel, compartilhou um pouco de sua. “Minha vó disse que foi registrada no 1º Livro de Registro de Nascimentos de Rolândia. Tempos atrás fomos verificar no cartório e de fato vimos o seu nome: Ruth Bárbara Kirchheim”, conta o filho.

O fato de ter um documento com o registro de 1936 de pessoas nascidas em Rolândia e pensar que, em 2022, a cidade não tem a mesma idade correspondente, é estranho para Daniel. “Temos esse dilema aí da data de aniversário de Rolândia, pois é curioso, porque é um documento oficial que mostra que muita gente nasceu naquela época e já foi registrado”, lembra.

Ruth fala que essa confusão de datas chega a ser um pouco triste para ela. “É um pouco triste saber que a memória é manipulada de acordo com as necessidades burocráticas”, afirma. Ela ainda desabafa “sinto que eu e muitos outros fomos excluídos por causa de burocracia (…) o fato de eu ser mais velha do que a cidade me faz pensar que sou muito importante, né? (…) sobre achar certo ou errado, não sei, estou viva e sou rolandense, o fato é que eu nasci aqui”, ressalta.

“Esqueceu-se da importância da Memória. Rolândia tem seu Marco Zero: o Hotel Rolândia”, conclui Daniel.

Visão da pesquisadora
A pesquisadora, fotógrafa e professora rolandense Cássia Popolin afirmou que o dia 28 de janeiro é uma data importante para a história de Rolândia, mas não para ser a data de aniversário. “Considero o dia 29 de junho como aniversário da cidade, pois foi nesse dia, em 1934, que teve início a primeira construção no perímetro urbano: o Hotel Rolândia, o Marco zero. Da construção até a emancipação são quase 10 anos”, afirma.

A pesquisadora ressalta que nesse período Rolândia cresceu e se desenvolveu, e em 1936, a Companhia de Terras já tinha mapeado a cidade e nomeado as ruas com nomes das capitais de países, até o cemitério já constava no mapa. “Nesse mesmo ano, a Ferrovia foi inaugurada, sendo por muitos anos o último ponto de parada. Em pesquisa no cartório de registro civil, em 8 de abril de 1938 é lavrado o primeiro registro de nascimento no Distrito de Rolândia, o Colégio Souza Naves já tinha iniciado suas atividades em 1939. Em 1944, Rolândia já estava a todo vapor, capaz de ser independente e se tornar município”, pontua.

Cássia afirma que a emancipação político-administrativa foi uma consequência natural de um distrito que cresceu muito além do esperado, até mesmo pelos próprios membros da Companhia. “Uma confusão histórica que precisa ser reparada: em 2021, por exemplo, comemorou-se os 80 anos da Igreja Matriz, ao 83 anos do Colégio Souza Naves e 78 de Rolândia. O aniversário e a emancipação são coisas distintas. Não podemos apagar os 10 anos da História de Rolândia só porque era um distrito e considerar sua “existência” a partir da emancipação”, conclui.

A pesquisadora ainda traz a informação que uma das justificativas para o aniversário ser a data da emancipação baseia-se no Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, que diz que todas as cidades com menos de 300 anos devem comemorar seu aniversário na data da sua primeira ata, ou seja no dia da criação do município. “Mas aí olhamos para outros municípios e temos Araraquara, no interior de São Paulo, que tem 204 anos e comemora aniversário no dia da sua fundação. Se seguisse o Instituto, teria 15 anos a menos”, reflete a pesquisadora.

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