Escolinha Vital Brasil, do Deizinho, chama a atenção dos ‘Vital Brazil’

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Movimento para transformar escolinha em um Centro de Memórias da localidade de Rolândia chegou aos ouvidos dos netos do famoso médico-cientista-sanitarista brasileiro

O mutirão do dia 12 reuniu um bom número de pessoas na Escolinha Vital Brasil (fotos de Cássia Popolin)

O movimento para ‘salvar’ a Escolinha do Deizinho do Vermelho, em Rolândia, deu o primeiro passo com um mutirão que iniciou a ‘restauração’ do local no sábado (12). A ação, que faz parte do projeto de doutorado de Cássia Popolin, chamou a atenção de dois netos do grande cientista brasileiro (talvez o maior) Vital Brazil. Por quê? A Escolinha se chama Escola Rural Municipal Vital Brasil.

“Pesquiso sobre a comunidade há 3 anos”, explica Cássia, que faz doutorado na UEM. “O objetivo da restauração é transformar a Escolinha num Centro de Memória para abrigar o acervo de fotografias e documentos que reuni desde 2019. Retornar esse material para a comunidade é uma forma de agradecê-los pelo carinho que recebi”, ressalta a pesquisadora, que tem mais de 800 fotos do local.

Uma das salas será a história das famílias entrevistadas e da Capela São Pedro que, em 2022, completa 68 anos da sua inauguração e em atividade ininterrupta. A outra sala será sobre a história da Escolinha.

“Queremos recriar o ambiente da sala de aula e, para isso, precisamos de duas carteiras do modelo antigo, onde se sentavam dois alunos. Quem tiver para doação ou venda pode entrar em contato comigo pelo Facebook”, pontuou Cássia.

Vital Brazil ou Brasil
O futuro Centro de Memórias também deve receber uma exposição especial de Vital Brazil, médico e cientista que fundou o Butantan e criou o soro antiofídico. “Essa exposição deve ser montada pelo neto do cientista, Érico Vital Brazil, que ficou sabendo de nosso movimento”, explicou o ambientalista Daniel Steidle, da Fazenda Bimini.

“A professora Cássia já me enviou alguns áudios e vou responder a todos. Vou trocar algumas ideias e ver como eu conseguiria contribuir com o projeto de vocês da restauração da escolinha”, afirmou Érico em áudio enviado a Daniel. “Vou mandar uns banners com a história do Vital Brazil. Temos algumas exposições sobre meu avô e vamos ver o melhor formato pra mandar aí para Rolândia”, revelou.

“Também faço questão de fazer uma visita pessoalmente neste ano para estarmos juntos e conhecer esse projeto e a escolinha que leva o nome de meu avô”, prometeu Érico Vital Brazil.

Steidle explicou como a história chegou até o neto do famoso sanitarista. “Contamos sobre nosso movimento a um grupo que passou por Rolândia caminhando no ‘Desafio das Catedrais’. Arnaldo, um jornalista o grupo, riu e afirmou que conhecia a neta de Vital Brazil”, relembra. Houve um contato com Dafne Ashton Vital Brazil, que passou também o contato de Érico, pesquisador e escritor que cuida da Casa de Vital Brazil. Dafne, inclusive, lembra que o avô “era muito preocupado com o homem do campo, o que o fez doar a patente da descoberta do soro para a humanidade, porque ele sabia que quem morria pelo veneno da cobra era justamente o agricultor. Com essa doação, tornou o soro acessível e universal, salvando muitas vidas, tanto no Brasil como em outros países”.

História
A escola no Ribeirão Vermelho iniciou suas atividades em 1948 e o prédio ficava próximo à ponte. No início da década de 1960, a família Iwase cedeu o terreno em sua propriedade para a construção do prédio atual, que atendeu crianças de 1ª à 4ª série. “A escola chamava-se Escola Isolada do Ribeirão Vermelho e pelos documentos que tive acesso até agora, a partir de 1968 passa a se chamar Vital Brasil, em homenagem ao grande cientista brasileiro”, enfatiza a pesquisadora Cássia Popolin. Com a redução drástica das famílias no campo, em 1998 a escola foi fechada, não havia mais crianças para dar vida àquele lugar. “Durante os 50 anos, passaram 47 professores pela escola: Fernando Bidoia (12 anos) e Clarice Iwase (15 anos) foram os que ficaram mais tempo”, pontuou. “Graças ao Sérgio Iwase, o prédio foi preservado. Um patrimônio material de grande valor para nossa cidade. Antes cedido para a Escola, agora ele cedeu para o Centro de Memória, minha gratidão à família Iwase”, ressalta.

No mutirão do dia 12, um grupo de 20 pessoas, em quatro horas de trabalho, fizeram uma verdadeira transformação no prédio, fechado há 24 anos. Encoberto pela poeira do tempo, aos poucos foi se aproximando da sala habitada na memória da maioria dos que estavam ali, que estudaram na Escolinha.
Junte-se

“Fiquei muito feliz com a união da comunidade que abraçou comigo a restauração da Escolinha. Sábado me emocionei de ver tantas pessoas unidas em torno de um objetivo”, ressaltou Cássia. “Quem quiser se juntar a essa ‘aventura’ deve acompanhar minha página no Facebook (/Fotografia e História/Cássia Popolin), que vou divulgar os próximos passos por lá.

O grupo também está organizando uma vaquinha virtual. “Em breve vamos divulgar número da conta dessa Vakinha Online e da Chave Pix. Precisamos arrecadar para conseguir comprar material de construção e pintura”, concluiu Cássia Popolin.

Vital Brazil Mineiro da Campanha nasceu em 28 de abril de 1865, em Campanha/MG, e faleceu em 8 de maio de 1950, aos 85 anos, no Rio de Janeiro. É considerado um dos grandes nomes na História das Ciências da Saúde.

Médico e sanitarista, foi um dos pioneiros da Medicina Experimental no Brasil e o precursor da Toxinologia nas Américas. Em 1917, recebeu a patente do soro antiofídico, que imediatamente doou em benefício da população brasileira.

Destacam-se, ainda, entre seus relevantes legados, a fundação dos Institutos Butantan, em 1899, em São Paulo, e Vital Brazil, em 1919, em Niterói, instituições que se tornaram marcos de excelência do fazer científico.

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