O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço

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Professora da rede municipal de Rolândia faz do Abraço um projeto e compra capas de chuva para estudantes se abraçarem

A professora Eliane em dois momentos do projeto ‘Abraço’

Em tempos de pandemia da Covid-19 e com todas as medidas e protocolos de segurança, as pessoas ficam afetadas e mais carentes. Com as crianças, essa situação não é diferente e pode ser ainda pior. Abraços e beijos entre amigos nas escolas ficaram ‘proibidos’, aumentando ainda mais a carência afetiva dos alunos e alunas.

“Em uma tarde, no cantinho da sala, abaixei a máscara para tomar água e uma criança me pediu para sorrir, disse que sentia falta de ver meu sorriso. Aquilo mexeu muito comigo”, revelou Eliane Festti Serpeloni, professora do 3° Ano da Escola Municipal Luiz Real, de São Martinho, e do 4° ano da Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida, do Bartira, ambos distritos de Rolândia.

Professora da prefeitura de Rolândia desde 1995, Eliane se sentia angustiada com a situação. “O retorno da aula presencial foi um dia muito difícil, pois sempre fui muito afetuosa com meus alunos. Ao chegar na escola eles se aproximaram e foi complicado para nós manter o distanciamento necessário”, relembra.

A docente lembra que, ao longo dos dias, muitos diziam que queriam abraçá-la e, alguns distraídos, quase o faziam. “Era muito triste ter que alertá-los e impedir que esse abraço acontecesse”, lamenta-se Eliane. Os dias foram passando, os cuidados continuaram, mas a saudade desse contato físico só aumentava. “Estávamos todos protegidos, mas carentes”, resumiu.

Projeto Abraço
A professora, então, começou a pensar em como amenizar esse cenário e a inspiração veio das cortinas de abraço feitas nos hospitais. “Mas pensei que os pais poderiam ficar inseguros quanto à higienização e eu também não queria correr nenhum risco”, ressaltou. Foi aí que veio a ideia de uma capa de chuva colocada ao contrário para cada aluno – nascia ali o projeto Abraço.

Eliane preparou uma aula especial para contar a novidade a seus alunos e alunas. Antes, comprou, ela mesma, 50 capas de chuvas que seriam usadas no projeto. “Iniciamos o trabalho com o verbo abraçar, o substantivo abraço, interpretação de músicas, entre outras curiosidades e benefícios de ato tão humano e necessário”, relembra. A data era 04 de novembro.

A ideia era o seguinte: cada estudante (do 3º Ano da Luiz Real e do 4º Ano da Nossa Senhora) escrevia a frase ‘Quero um Abraço’. Todos os dias, alguns alunos eram sorteados e recebiam a capa de chuva nova, sem uso, e aí aconteciam os abraços com a professora Eliane. Sempre ao som dos estudantes cantando a frase ‘O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço’.

“Depois disso, pegávamos a capa, colocávamos dentro de um saquinho, sem contato direto com o lado usado pelo aluno ou aluna. Escrevíamos o nome de quem usou a capa. Tomamos todo o cuidado”, ressaltou Eliane. No último dia de aula, em dezembro, cada criança recebeu sua capa, que estava guardada em um saquinho individualmente, e pode sair pela escola distribuindo e recebendo abraços. “Foi um momento lindo de euforia dos alunos e de muita emoção para os professores, professoras, colaboradores e colaboradoras dessas escolas”, pontuou.

“Seria mentira dizer que a pandemia me mostrou a importância de um abraço: eu sempre os valorizei”, afirmou Eliane. “A pandemia me colocou em uma crise de ansiedade dolorosa, em um isolamento interminável, mas o amor pelos alunos me fortaleceu, me fez enfrentar meus medos, retornar à sala de aula e ser feliz novamente no melhor lugar do mundo: dentro de um abraço”, enfatizou a docente.

Perguntada sobre se valeu a pena o projeto Abraço, Eliane Festti Serpeloni foi bem taxativa: “Valeu muito a pena. Compraria essas capas quantas vezes fosse necessário, mas espero que não mais”, revelou. “No último dia de aula em São Martinho, vi três menininhas se abraçando com as capas e falando da saudade de abraçar e serem abraçadas. Foi lindo. Algo tão simples e tão necessário e que nos preenche e preencheu essas crianças”, afirmou.

“Muitos desses abraços terminavam com as crianças de olhos marejados, emocionadas mesmo. Foram momentos de reencontros”, salientou Eliane. A diretora, a pedagoga e as outras profissionais e colaboradores não passaram intactas pelo Abraço dos alunos. “Muitas delas também choraram de alegria”, concluiu a professora.

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