Câmara exibe Ilha Mutum

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A Câmara de Vereadores de Rolândia exibe o documentário “Ilha Mutum, a história dos pescadores sem rio”, na noite desta terça-feira (22), a partir das 19h30. O filme foi exibido pela primeira vez no município em setembro, no Cine Paiolzão, na fazenda Bimini, e contou com a presença de dois dos seus três diretores: os jornalistas Loriane Comeli e Fábio Cavazotti. Nesta noite, na Câmara, Fábio estará com o jornalista Marcelo Frazão, o terceiro diretor documentário, e prometem conversar com o público sobre a película e os temas que dela surgem.

Ilha Mutum
O documentário trata da situação dos pescadores e agricultores da Ilha Mutum, localizada no município de Porto Rico, na região noroeste do Paraná. Os trabalhadores que se sustentavam da pesca e agricultura foram expulsos da ilha, por ordem judicial, executada sob o pretexto de cumprimento da lei ambiental – a alegação da justiça foi que a população ocupava uma área de preservação ambiental permanente.

Cerca de 490 famílias de ilhéus foram obrigados a se mudar para a cidade e encontrar ocupações nos comércios, como empregados em casas e até como catadores de lixos, para conseguir sustento. Os ilhéus que insistiram em viver da pesca tiveram sua situação agravada após a construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, instalada no Rio Paraná, que provocou a mortalidade dos peixes.

“A lei ambiental não é só para proteger a natureza. É para proteger o homem junto com a natureza”, afirmou Loriane, em setembro, ao JR. A ideia do documentário surgiu após Cavazotti ser procurado pelo presidente da associação de pescadores da ilha e tomar conhecimento da situação injusta. Na época, o jornalista trabalhava em Maringá e fez uma série de reportagens sobre os acontecimentos. Cavazotti convidou os amigos e também jornalistas Loriane e Frazão para a co-direção. A motivação da equipe foi a comoção com a situação de injustiça ocorrida na ilha. “Nosso objetivo era fazer com que as pessoas conhecessem e eles fossem, de alguma forma, ajudados, o que ainda não aconteceu”, lamentou a diretora, à época.

O próximo passo da equipe seria o de enviar cópias do documentário aos juízes e promotores envolvidos no caso na época e para políticos, na tentativa de que alguém interfira na situação dos ilhéus. Atualmente, a Ilha Mutum é utilizada para um turismo inconsciente e ilegal – na visão dos diretores.

Produção
Atualmente, os três diretores trabalham com imprensa e comunicação em Londrina. As gravações foram feitas em 2005, durante 12 finais de semana. Os diretores viajaram para Porto Rico com recursos próprios e entrevistaram ilhéus que se mudaram e funcionários da Hidrelétrica. As autoridades envolvidas não quiseram dar entrevista à equipe. A edição foi interrompida e retomada no ano passado, quando o documentário foi finalizado.

A primeira exibição foi lá em Porto Rico e os pescadores ficaram contentes com o fato de ter sua situação retratada, mas não depositaram esperanças de mudança após a apresentação. A segunda exibição foi no Sesc Cadeião Cultural, em Londrina, algumas semanas depois. Daniel Steidle, proprietário da Fazenda Bimini e educador ambiental, estava na plateia e deu suporte para que “Ilha Mutum” fosse exibido em Rolândia.

Fábio Cavazotti e Marcelo Frazão para um bate papo pós filme…

idagencia

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