Um Dia da Árvore inesquecível

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A fazenda Bimini, de Rolândia, comemorou o Dia da Árvore (21 de setembro) de maneira inesquecível nesta segunda-feira (21). Os alunos da Escola Roland tiveram uma aula especial com Dr. Paulo Ernani Ramalho Carvalho, 68 anos, cientista e engenheiro florestal, considerando a maior autoridade mundial em árvores brasileiras. O cientista também teve outros “alunos”, os representantes do Jardim Botânico de Londrina, da secretaria de Meio Ambiente de Rolândia, do Sindicato Rural, da Câmara de Vereadores, e do Jornal de Rolândia.

Árvore não é pau à-toa

Nascido em Fortaleza (CE) e formado pela Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, Paulo Ernani explicou a importância das árvores para o planeta e para a vida. “Árvore não é pau à-toa”, que está escrito em um barracão da Bimini, resume bem a filosofia do engenheiro florestal. “Uma vez, fui visitar um sítio de meu tio no Ceará e vi uma árvore que não conhecia. Perguntei para o capataz que árvore era aquela e a resposta dele me deixou vermelho: esse aí é um pau à-toa”, relembra. “Se é à-toa, não precisa viver, não é mesmo? Mas toda árvore não é pau à-toa”, ressaltou o cientista.

Na andança pelos arboretos da Bimini, alguns dos quais ajudou a criar, o engenheiro florestal contava um pouco da cada espécie aos alunos do 7º ano da Escola Roland – em número de 20. Falou sobre a Canela Sassafrás, da qual se extrai o óleo safrol, muito utilizado nas indústrias química, alimentícia e farmacêutica. “Esse óleo é usado no combustível de foguetes e também em sabonetes”, ensinou Paulo Ernani. O engenheiro também mostrou a Arueira verdadeira. “Os móveis fabricados com essa madeira duram para sempre… e mais 100 anos”, brincou, sob o olhar atento dos estudantes.

Propriedades medicinais
Outra qualidade ressaltada pelo cientista florestal foi propriedade medicinal das árvores, fonte inesgotável de medicamentos e remédios. Ao parar perto de um exemplar da Copaíba, Paulo Ernani falou de sua capacidade de cicatrizar cortes e machucados. O homem branco fez o medicamento de cicatrização a partir de relatos de índios, que revelaram a propriedade da árvore. “Uma vez li que alguns índios da Amazona estavam caçando uma anta, mas a flecha apenas a machucou na parte traseira. Os índios a seguiram e a encontraram esfregando a parte do corpo machucada naquela árvore com coloração vermelha, o Copaíba”, afirmou o engenheiro florestal. Paulo Ernani também mostrou plantas perigosas, como o Pessegueiro Bravo, cujas folhas podem matar um carneiro em 5 minutos.

Arboretos

O cientista e engenheiro florestal ajudou a criar três arboretos na Fazenda Bimini, todos em parceria com a Embrapa Florestas. “O primeiro deles faz 20 anos em fevereiro de 2016 e é um arboreto florestal, com 14 plantas. O segundo, de setembro de 2000, é um arboreto botânico com muitas espécies com poucas repetições. O terceiro arboreto tem 9 anos e não se desenvolveu muito bem, com vários problemas”, revelou Paulo Ernani, que há três anos não vinha até a Bimini.

Obras e prêmios

Paulo Ernani Ramalho Carvalho é Mestre em Silvicultura e Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná. Por mais de três décadas estudou as árvores brasileiras, o que lhe rendeu o livro “Espécies Arbóreas Brasileiras”, em três volumes e o livro infanto-juvenil “A Viagem das Sementes”, também em braile. “Foi o Dr. Paulo que escreveu Espécies e o tio Paulo que fez a Viagem”, afirmou.

O cientista recebeu os prêmios Paraná Ambiental em 2000, Destaque Individual da Embrapa, em 2003), e o Ford Motor Company de Conservação Ambiental – Conquista Individual, em 2004. Mais do que pelos prêmios, Paulo Ernani se destaca pelo amor e o respeito que tem pelas árvores.

idagencia

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