Restaurando bicicleta, sonhos e memórias

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Basta entrar por uma porta no fundo da Bicicletaria São José, em Rolândia, que certamente Djalma Garcia, 74 anos, e seu sobrinho Silvioney Lopes, 31 anos, estarão perdidos entre rodas, bancos, quadros, pedais. A paixão por bicicletas antigas atingiu Djalma quando ele tinha 23 anos, em 1964, e essa “doença” passou para o sobrinho, seu parceiro na restauração das mais diversas magrelas que aparecem por ali. “Eu comprei uma bicicleta usada e comecei na desmontá-la. Aí, não parei mais. Peguei paixão por ela e comecei a pintar bicicletas”, relembra Djalma, que morava no Km 4, na estrada para São Martinho, na Água do Araponguinhas. 

Os serviços de restauração de Djalma e de Silvioney têm sido procurados por pessoas de Rolândia e de outras cidades, do Paraná e de São Paulo. O fato pode ser comprovado pela peças e bicicletas espalhadas pela “atelier”. 

Quando a reportagem do JR esteve na oficina, a dupla trouxe três bicicletas que acabaram de ser restauradas e estavam para ser entregues: uma Monark 1976, uma Monark Brasiliana 1964 e uma modelo alemã, NSU, de 1949. Os restauradores já perderam a conta de quantas magrelas já foram reformadas e restauradas. “Restauramos cerca de 5 bicicletas por mês, certamente já reformamos mais de mil bicicletas”, ressalta Djalma. 

Muitas das bicicletas antigas chegam em situação precária à Restauração São José. Primeiro, elas são desmontadas, alinhadas e depois vão ser jateadas, único serviço terceirizado pelos restauradores – quando as bikes voltam, passam massas e as pintam. Algumas das bicicletas mais reformadas pela dupla são as modelo da sueca Prosdócimo 49, 50 e 51. O trabalho com as bicicletas antigas atende a colecionadores e a pessoas que usam a magrela no dia a dia. 

Bicicleta mais antiga
Ainda de acordo com os restauradores, eles devem restaurar uma bicicleta do ano de 1874. “O proprietário de Maringá, um amigo nosso, trouxe a bicicleta até aqui para fazermos uma solda e depois vai trazê-la para nós fazermos a restauração”, explica Silvioney. O dono da bicicleta antiga entrou na fila e deve esperar alguns meses para que a dupla faça o trabalho de recuperação da peça. “Ele está aguardando a vez dele, pois há bastante gente na frente”, afirmou Silvioney. 

Uma das maiores alegrias de Djalma é entregar a bicicleta reformada ao seu dono. “Quando o cliente chega, vira amigo. Vê-lo feliz por pegar a bicicleta pronta dá mais prazer ainda na gente”, afirmou Djalma. “Para mim, isso aqui é uma diversão e não trabalho. Tenho paixão por isso aqui”, enfatizou.

Início
Em 1966, Djalma montou uma bicicletaria em São Martinho e começou a arrumar bicicletas, novas (para a época) e antigas. “Mas a especialização em bicicletas antigas começou de 1996 para cá”, revela o restaurador. O aperfeiçoamento veio pela prática e a fama de restauração começou a crescer, levando seu nome para além dos limites de Rolândia. Djalma conta que tem apenas o 1º ano do primário e que não pode estudar, pois tinha que trabalhar na roça. “O pouco que sei, aprendi à noite, numa escolinha lá no Km 4”, relembra Djalma. 

O sobrinho Silvioney ficava na oficina vendo o tio trabalhar. “Desde criança, eu ficava aqui, olhando o tempo”, relembra. Essa observação passou para uma ajudinha aqui, outra acolá e ele se tornou um parceiro na restauração e no amor pelas magrelas. “Comecei a trabalhar mais seriamente com ele em 2013”, afirmou Silvioney.
idagencia

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