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EMPATIZANDO: DIA DAS MÃES

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    “Sou separada há 13 anos. Tenho três filhos. O Brenno é o mais novo, com 13. A mais velha, Bruna, tem 24, e a Maria Eduarda tem 19. Tenho duas netinhas, a Beatriz e a Isabelly, da minha filha mais velha. 

    Quando descobri que seria mãe a primeira vez, era muito novinha, estava com 14 anos. Quando minha filha tinha 4 anos conheci meu ex-marido e com ele tive mais dois filhos. Na primeira gravidez, naquela época as coisas não eram tão abertas quanto hoje, eu fiquei sem saber o que fazer. Meus pais sempre me ajudaram. As duas filhas não me deram trabalho, foi tudo tranquilo. 

    Eu queria muito o Brenno, já estava certo que seria meu último filho e foi tudo planejado. Aos seis meses, ele já quis nascer. Foi complicado e passei um período internada. Quando faltava uma semana para completar oito meses, ele nasceu, bem calmo e não teve nada fora do normal. Sabia que alguma coisa era diferente por causa dos comportamentos. Ele dormia bem, não chorava muito. Mas com oito meses, comecei a perceber que ele não brincava, era na dele, mesmo quando foi crescendo. Lembro que no aniversário de um ano ele já andava e começou a falar bem cedo. 

    Aos três anos, me chamaram na escolinha, porque ele não se enturmava e brincava sozinho. Com quatro, chamaram de novo. Ele não sentava, andava o tempo todo. A escola encaminhou para o CAPS. Na época, passamos por uma psiquiatra, e até uns oito anos, acreditávamos em esquizofrenia e bipolaridade. Depois, procurei um neuropediatra, o Dr. Andrade, que me falou que ele tinha Síndrome de Asperger, um autista ‘leve’ nos termos de hoje. Fiquei sem chão. Por causa do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) severo, ele é muito inquieto. 

    A minha vida mudou completamente, optei por nem trabalhar mais. Sou formada em Pedagogia e fiz pós-graduação em Educação Especial. Abri mão da minha vida para viver em função dele. Fisicamente, ele é normal, então quem não vê nosso dia a dia não entende porque ele precisa de tanto cuidado, mas ele depende muito de mim. Eu vivo para ele… 

    Ser mãe de autista não é fácil, são muitos momentos tristes. Vivemos sem saber o que vai acontecer. Ele quer terminar os estudos e fazer faculdade. Esses dias me falou: mãe, será que vou poder dirigir? Falo pra ele que não sei. Mas também temos momentos felizes. Tenho várias cartinhas dele dizendo: Mãe eu te amo e sem você não sou nada”. 

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