“Nós queremos ser respeitados”

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Diante de uma Câmara lotada, a professora Vanilda Rodrigues Pereira, que faz parte do Movimento Negro de Londrina, passou o seu recado sobre a discriminação racial e social durante a sessão de segunda-feira (28 de março). Ela foi convidada a vir até Rolândia pelo vereador Maico Dida (PT) por causa de artigos de um semanário da cidade. Estupefata, ela ouviu o vereador ler um artigo que falava sobre o politicamente correto e como estaria o mundo chato por não podermos mais fazer “brincadeiras” com o negro ou com o homossexual, por exemplo.

Vanilda criticou o uso da figura do negro para ilustrar tudo aquilo que é errado ou mal. Ironicamente, ou não, ela utilizou um desenho que foi usado por um semanário da cidade para falar sobre as escolhas que o jovem pode fazer na vida: um menino NEGRO está entre duas estradas. Na primeira, pessoas sugerem que ele vá para a escola; na outra estrada, há pessoas lhe entregando armas. “O Brasil tem em torno de 60% de negros e pardos”, lembrou a professora. “Mas os 40% de brancos não aparecem quando o assunto é criminalidade ou pobreza ou violência”, ressaltou. “A Constituição pune qualquer tipo de discriminação. Isso é lei e ela é punitiva”, afirmou Vanilda.

A professora enfatizou que o 20 de novembro (Dia da Consciência) é mais importante do que o 13 de maio (Dia da Libertação dos Escravos). “É o dia da resistência do negro e mostra que nós resistimos à discriminação e à desvalorização. Os negros foram estraçalhados em todos os aspectos. Vi muita coisa no final de semana passado e conversei com o vereador Maico e fiquei estarrecida. Eu tenho uma noção tão bonita de Rolândia e, de repente, comecei a ver uma coisa muito ruim: as pessoas pelo senso comum veiculam artigos na mídia e têm de tomar cuidado com qualquer tipo de discriminação”, lembrou.

Vanilda reafirmou a importância da Educação na vida do jovem. “Os negros e pardos em situação de risco, como os alcóolatras, drogados, os delinquentes, não são tolerados. Meu Deus, que país é este em que se quer expurgar parte da sociedade para se ficar limpo? Nós vamos higienizar a nossa sociedade, é assim que se faz? Não, temos que construir em nossas crianças, pela Educação, que não é assim que se faz. Não é eliminando o que se supõe que socialmente imprestável. Será que atrás daquela pessoa não existe outro ente que vai sentir pela pessoa eliminada?”, questionou.
Vanilda voltou a analisar a figura do negro na mídia. “Chega. O negro não quer mais se ver nessas fotos e representando o mal, o ruim. O racismo continua se perpetuando no Brasil e sendo disseminado como se fosse a coisa mais normal do mundo. O racismo se perpetua nas brincadeiras”, enfatizou a professora.

Politicamente correto
“O problema do politicamente incorreto é o sarcasmo que está por detrás das brincadeiras. Como você fala do outro, dando o sentido de inferioridade. Nós, negros e negras, pardos e pardas, não queremos que você seja obrigado a usar essa palavra politicamente correta, não. Você vai nos respeitar de acordo com a nossa aparência e a nossa cor de pele. Nós exigimos respeito, temos uma dívida de mais de 300 anos de açoite e de desvalorização dos negros e negras do Brasil”, afirmou a professora Vanilda.

A professora terminou falando da necessidade de se desconstruir os equívocos com a imagem do negro, sua discriminação e sua desvalorização. “Para que a gente não veja certas notícias idiotas sendo publicadas e fazendo polêmica na cabeças das pessoas. Não é por aí. Não podemos nos pautar pelo senso comum, mas em conhecimento historicamente construído pela nossa sociedade. Para que as pessoas pensem duas vezes antes de se referir ao outro. Temos que valorizar o potencial dos seres humanos”, concluiu Vanilda Pereira.
idagencia

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