Papo Reto: Carência de heróis ou falta de conhecimento dos mesmos? – por Renato Malacrida

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Carência de heróis ou falta de conhecimento dos mesmos?
Essa semana, iniciei os estudos sobre a proclamação da República brasileira com os alunos do nono ano. Sabemos que durante o processo de ensino-aprendizagem devemos mediar o conhecimento, mas entretanto apresentar fontes para que os alunos possam ter critérios para embasar seu pensamento. Um dos temas abordados fora a criação de mitos e ressignificação dos símbolos monárquicos. Pulando todo aquele “blábláblá”, chegamos a figura de Tiradentes, e uma das situações que a historiografia aborda é justamente a sua aparência. 

Ao questionar com qual personagem o Tiradentes dos livros se parece, a opinião foi unanime: Jesus Cristo. Logicamente que o cosplay (fantasia) de Jesus Cristo pegou facilmente, fazendo com que a população aceite a ideia de mártir. Certamente, o imaginário brasileiro não mudou praticamente em nada desde esta época. Sabendo disto, há uma facilidade, em termos gerais, de aceitarmos “heróis” com tanta facilidade. Veja o agente da Polícia Federal, Newton Ishii, o famoso “japonês da federal”. Tietado por ser o “algoz” dos políticos corruptos, fora preso justamente por um crime que, ao meu ver, enquadra-se como corrupção (facilitar o contrabando na fronteira). Particularmente, ao ver tal noticia, me sentira frustrado caso tivesse tietado o tal agente. Mas não quero entrar em mérito da questão, mas sim questionar essa nossa carência em simplesmente colocar no altar heróis midiaticamente fabricados. São nomes como Tiradentes, Princesa Isabel, Dom Pedro I e tantos outros. Será que não possuímos nenhum legítimo herói ou heroína; ou simplesmente desconhecemos? 

Onde estão as Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Cunhambebe, Frei Beto e tantos outros nomes que estão nos livros, mas ao mesmo tempo são esquecidos pela história? Infelizmente, a nação brasileira não fora cunhada por lutas, mas sempre por acordos políticos voltados a interesse da elite. Sempre criaremos falsos heróis a ponto de amar os exploradores e odiar os explorados. Não sei se isso vai mudar ou quando, mas sei que ainda somos um povo carente.

Renato Malacrida é professor de História e conta histórias
idagencia

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